Rafael Pötter é escritor, não tem nenhuma aventura insana em sua infância ou adolescência para contar pros seus netos. Cresceu na década de 1990 e nela acompanhou as aventuras de várias gerações dos Power Rangers, Sonic e Pokémon, sendo esses os seus maiores heróis de infância. Nerd desde criança nunca recusou uma história de super heróis, figura de ação, filme de ficção científica ou video game, e enquanto todos os seus amigos treinavam suas habilidades como esportistas no mundo lá fora, Rafael ficava em casa brincando com seu Super Nintendo.
Levaram alguns anos até Rafael resolver sair de casa, no dia em que Pokémon estreiou no Programa da Eliana, na Record, ele organizou um grupo de amigos no intervalo da escola e liderou a brincadeira, foi então que o menino descobriu que os gráficos da vida lá fora eram melhores que os gráficos de seu videogame e assim deixou a sua fita do Super Mario Bros para Nintendo 64 para trás e resolveu se tornar alguém.
Dois anos fracassando na tentativa de ser alguém e odiando Digimon, Rafael teve a chance de ser Harry Potter na brincadeira devido ao seu sobrenome (Pötter), com isso foi o aluno mais popular da turma e foi até ameaçado de morte por um colega que não podia brincar.
Mas o tempo passa e não se pode evitar aquilo que está em seu sangue, não demorou muito para Rafael Pötter voltar para o seu mundinho particular. Até hoje enquanto seus amigos saem para dançar e, usando um termo vulgar (com o intuito de menosprezar os amigos), caçar – palavra que aqui significa “procurar alguém pra pegar” – ele fica em sua casa, ouvindo músicas que ninguém escuta, assistindo séries de tv e filmes, lendo livros e escrevendo em seu twitter, em seu blog ou em seu projeto que algum dia se tornará um best seller, Pagliacci.
